Sobre viver em dias severos

A Europa em chamas

Fotografia minha, Caldas da Rainha

Embarcasse facilmente nas muitas teorias da conspiração actuais e poderia acreditar piamente que os graves incêndios de Espanha e França, também na Itália, não são principalmente obra das alterações climáticas mas fruto da congeminação de um ou mais cérebros doentes com vista a enfraquecer o continente europeu, desviando recursos e atenção dos conflitos existentes que podem alastrar sem travão por parte dos países debilitados, frente à progressão "massiva" do "inimigo".
Pudesse deixar-me influenciar e começar a magicar que Trump anda "contrariado" com a Espanha, uma vez que viu negado terminantemente o uso de bases no país bem como a "livre circulação" do seu espaço aéreo.
Por sua vez Macron terá manifestado em Atenas que "a Europa está a viver um “momento único” em que “um Presidente norte-americano, um Presidente russo e um Presidente chinês” se opõem “ferozmente aos europeus”, o que não deve ter caído bem ao triunvirato fantástico.
Porque há que manter o bom senso sob pena de nos deixarmos arrastar para mais e mais manipulação, desinformação, o que por aí abunda, conservando uma sanidade q.b. e não cedendo ao pânico fácil que alguns parecem querer despoletar, olhe-se para a nova onda de calor que se aproxima de Espanha e França, da que há pouco assolou Portugal, o Reino Unido, a Itália, a Grécia, a Dinamarca, Alemanha, Roménia, mas também segundo outros estudos, num futuro muito próximo se espalhará pela Rússia, Moldávia, Bulgária, Ucrânia, Geórgia, Turquia, fazendo destes países talvez os mais afectados, toda e qualquer conspiração cai por terra. 
Assumamos pois que a culpa é nossa! De cada um que não abdica da vida consumista actual, vivendo de forma perdulária, esgotando os recursos da natureza cada vez mais cedo, estando-se, apesar dos discursos bonitos e das atitudes de fachada, a marimbar para a pegada ambiental. 
Se ainda há quem se convença do contrário, tire um minuto para reflectir, olhe à sua volta e perceba que o ponto de não retrocesso foi atingido e, daqui em diante, sobreviver com o aumento da temperatura dos mares, a devastação das florestas, a já ameaçadora crise de falta de água, com a escalada dos preços dos alimentos, a escassez de alguns e a falência de outros, vai ser uma façanha. 

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