Sobre viver em dias severos

Castelo de Beja

 

Costumo ter grandes conversas com as pedras. Pergunto aos pedregulhos e aos bosques de Sintra quem os calcorreou, por ali se evadiu, num recanto foi beijada, em que encruzilhada teceu encantos? Aos enormes cedros e demais árvores deste e de outros lugares: como era a vida aqui?
O que terão visto de monta que possam confidenciar-me, sem querer saber pormenores sórdidos ou imiscuir-me nas decisões que os antigos tomaram. Nunca obtive resposta!

CASTELO DE BEJA

Ouço o sussurro das árvores, sem vozes, nem gritos a sobreporem-se. Sento-me naquele banco de pedra à entrada e continuo a discernir sobre o que me rodeia. 
Decido que talvez almoce nos muitos lugares disponíveis perto. E, enquanto como, comparo inevitavelmente o meu pobre repasto com os banquetes da época, acompanhados a alaúde e a voz de menestrel. Evoco os trajes das damas, os dos cavalheiros almejando um vislumbre do rei... 

A monarquia acabou há muito é certo, mas quem não mantém ainda tantos dos sonhos que envolvem príncipes e princesas? 

À entrada existe esta laje com a inscrição:

"Aqui jaz Afonso Vaz Viegas. Santa Gloria Aja. Faleceo a Nove Dias de Março de 1507 Anos. Rogad a Deos Por Sua Alma."

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Que pequena sou. Até nas viagens, nos passeios... Nunca publico imagens de lugares de impacto, quando privilegiar o meu país, pequenino como eu, mas enorme em beleza e tradição é um privilégio. Aos outros, pouco vou! Não por parcas posses, mas porque se Deus quisesse que o Homem voasse tinha-lhe dado asas. 
De comboio ainda alinhava, de carro é uma exaustiva aventura percorrer a Europa. Atrever-me mais além, não! Aventurar-me por Portugal fora é-me mais pacífico e prazeroso. 
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