
Costumo ter grandes conversas com as pedras. Pergunto aos pedregulhos e aos bosques de Sintra quem os calcorreou, por ali se evadiu, num recanto foi beijada, em que encruzilhada teceu encantos? Aos enormes cedros e demais árvores deste e de outros lugares: como era a vida aqui?
O que terão visto de monta que possam confidenciar-me, sem querer saber pormenores sórdidos ou imiscuir-me nas decisões que os antigos tomaram. Nunca obtive resposta!


Ouço o sussurro das árvores, sem vozes, nem gritos a sobreporem-se. Sento-me naquele banco de pedra à entrada e continuo a discernir sobre o que me rodeia.
Decido que talvez almoce nos muitos lugares disponíveis perto. E, enquanto como, comparo inevitavelmente o meu pobre repasto com os banquetes da época, acompanhados a alaúde e a voz de menestrel. Evoco os trajes das damas, os dos cavalheiros almejando um vislumbre do rei...



À entrada existe esta laje com a inscrição:
"Aqui jaz Afonso Vaz Viegas. Santa Gloria Aja. Faleceo a Nove Dias de Março de 1507 Anos. Rogad a Deos Por Sua Alma."


De comboio ainda alinhava, de carro é uma exaustiva aventura percorrer a Europa. Atrever-me mais além, não! Aventurar-me por Portugal fora é-me mais pacífico e prazeroso.