Sobre viver em dias severos

Tempos no Parque

Parque Infantil do Alvito

Eu entrava controlada por fora, esbaforida por dentro só de antecipar a brincadeira. Sempre de verde murado, perfumado a eucalipto e outras essências locais, dava gosto por ali correr. Passar o dia a brincar. Numa carreira perfilados, os baloiços, a balouçar. Para ninguém sofrer a espera, quando os miúdos sem enfado continuavam neles a andar, os pais ainda impunham respeito, para os outros poderem entrar.

Mas enquanto a espera se dava, o eléctrico tilintava como se estivesse a chamar. O hidroavião, logo em frente, apresentava-se sempre pronto para descolar.
A piscina era outra atracção onde as horas não passavam, entre borrifos e mergulhos dos miúdos que ali estavam. Pelos escorregas, escorregava-se, ora maiores ou pequenos, sem temer raspar os joelhos. Quando a areia nos esperava, entrando pelos sapatos, o passeio conduzia a outras diversões espalhadas. 
Na mata, já as famílias preparavam para os piqueniques as toalhas desenroladas. 

Hoje está tudo mudado. O "progresso" passou por lá e, embora se encontrem sinais da tempestade passada, continua a ser a escolha dos pais e da pequenada.
Os piqueniques rareiam, as árvores também escasseiam, tal como lugares para estacionar. Mas nada que importe muito, o que importa é brincar. Ali antes se correu, se riu e assim se cresceu, com o ar puro de Monsanto e do rio por companhia. A vista majestosa da ponte, em toda a sua grandeza, com a carraria a entupi-la mal o tempo aquecia.
Agora é de cá que os olho, tendo-os nos olhos gravados, em cada vez que lá vou. Como o rio na minha frente, esteve ali, sempre presente e agora continua.
E que a praceta seja diferente, mas também por aqui boa gente brinque com os filhos na rua. 

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