Fotografia minha
Em tempos, no século passado, afirmava-se que "quem não era benfiquista, não era bom chefe de família"; hoje caminhamos a passos largos para o mesmo: o Benfica surge, se é que mesmo nas manhãs de nevoeiro cerrado não "aparecia", porque sempre apareceu na nossa sociedade como a identidade máxima, cujos valores consagrados de respeito, honra, integridade moral, solidez familiar, etc., etc... eram únicos!
Neste sacral louvor, sinal de grande maturidade e reconhecimento dos direitos do indivíduo, muitas das crianças, mal nasciam, podia tardar-lhes o baptismo mas o cartão de sócio, não!
Um destes dias, após a constactação da exaltação pública sistemática do Clube da Luz e de todas as movimentações e declarações, de manhã à noite, de presidente, treinador e plantel em todos os canais de televisão, saiu-me espontaneamente o seguinte: "a semelhança entre esta propaganda agressiva e o parlapié das campanhas eleitorais, presidenciais ou autárquicas, não é muito diferente. Sendo que nas últimas igualmente se oferecem canetas, bonés, porta-chaves, em alguns casos televisões e até almoços... ainda que não possuam uma loja oficial física ou online", o que fez gargalhar quem me ouvia.
Em tempos, se existiram a "Operação Coração" e outras que se propunham, a nível nacional e fora de Portugal, trazer para o seio do clube mais e mais sócios, hoje a minha dúvida consiste em saber, não que me importe grande coisa, porém... se a "Red Family" terá tanto sucesso a seduzir pró-benfiquistas como as campanhas activas diárias dos canais nacionais?
É que se torna desesperante! Não vou dizer mal-sucedido, para quem gosta de futebol ouvir diariamente falar, mal abre um qualquer programa desportivo, uma ou duas horas sobre o Benfica; dez minutos sobre o Sporting e um quarto de hora sobre o Porto.
Como se não existisse na liga mais que "carne viva", "vermelhidão", numa cegueira imposta a tudo e todos a ponto de termos de optar por ouvir música!
Compreendo e aceito o amor/fervor por um clube, o que não concebo é esta disparidade, este "maremoto" que tenta afundar os restantes.