Sobre viver em dias severos

"Filhos da Pide"

História da PIDE

Vi hoje, a propósito de outra luta de alunos que barricavam a entrada nas escolas, um cartaz muito interessante que, evitando chamar "filhos da..." a quem era dirigido, fazendo-se uma idéia do alvo a atingir, tinha as palavras "Filhos da PIDE".
Pensei imediatamente: "Se estes pirralhos mimados soubessem o que era, ou sentissem na pele a acção da PIDE, borravam-se todos, antes de gritar, com razão para isso, pelos paizinhos e mãezinhas".
O mais engraçado é que vimos um ou dois a discursar qual "gente grande" numa moldura de palermas agarrados aos telemóveis de muitas centenas de euros, uns a rir e a dar de si a imagem de bronco, outros, como se posassem para galardoada revista de moda, em poses de charme, não sem pelo meio ou no fundo, troarem as reivindicações.
Coitados dos que, em tempos, tiveram aulas em edifícios repletos de amianto. Nas terras, por aí, percorreram quilómetros e quilómetros sob a neve ou, nos rigores do verão, com o estômago a roncar, de bico calado se fizeram homens e mulheres de valor. É!
É inadmissível — parafraseando uma delas, que se queixava, entre outras trivialidades, de, em 2026, se ter de preocupar com o que tem para comer, quiçá preocupada por não haver um KFC ou McDonald's por perto ou que tipo de menu escolherá hoje —, que existam realmente crianças e jovens a morrer de fome, frio, falta de condições de saúde, ou que, por estarem, para sua infelicidade, no lugar e hora errados, encontrem a morte por balas perdidas ou em contexto de guerra.
É! É inadmissível tanta estupidez! Tanta falta de sensibilidade e respeito pela memória de muitos que foram torturados e mortos nos calabouços da PIDE, ou nas praças e ruas deste país!
Apenas e tão-só, por terem também, legitimamente, o direito de sonhar.

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